NÃO PEÇA AJUDA
Mais um dia na equação cotidiana da vida.
Chove no fim de novembro.
Entre os carros.
No engarrafamento.
No concreto a água escorre.
Nos outdoors.
Nos muros grafitados.
O concreto pichado.
Um sonho morto por dia.
Uma vida por dia.
Onde estão todos os desaparecidos desta cidade abandonada?
Era sexta-feira?
Qual era temperatura dos nossos corações naquele exato momento?
Embaixo do viaduto
Embaixo do viaduto talvez possamos nos programar
Organizar nossas agendas
Tomar decisões
E fazer planos para o futuro
Enquanto aqui estamos
Dançando e rindo sobre nossos túmulos
O mundo cai aos pedaços
Nosso fim é tão eminente
O chão está se abrindo
E bebemos mais uma garrafa
E acendemos mais um cigarro
Nossos sonhos estão no chão
E somos incapazes de catá-los
Quais são as suas posses?
Não tenha tanta mágoa
Ignore a dor que você sente
Pelas pessoas
Por você
Pelos que ainda virão
Há um posto vazio e abandonado
John Lennon já não grita mais
Se você voar
Tudo vai dar certo
Tudo irá se concretizar
Escrito por Marcondes Pseudosangue às 15h42
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